APAIXONADOS – Crônica de Martha Medeiros

Publicado: 12/07/2013 em Reflexão
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apaixonar-se

A questão é porque nos apaixonamos por Roberto e não por Vitor, ou por Elvira e não por Débora.

Estamos sempre tentando justificar a escolha de um parceiro em detrimento do outro, a verdade é que a gente decide se apaixonar, está predisposto a se envolver – o candidato a este amor tem que cumprir certos requisitos.

Lógico, mas ele não é a razão primeira por termos sucumbido, a razão primeira somos nós mesmos.

Cada vez que nos apaixonamos, estamos tendo uma nova chance de acertar, estamos tendo a oportunidade de zerar nosso velocímetro, de sermos estreantes, uma pessoa acaba de entrar na sua vida, você é 0 km para ela.

Tanto as informações que você passar quanto as atitudes que tomar será novidades suprema – é a chance de você ser quem não conseguiu ser até agora, um novo amor é a plateia ideal para nos reafirmarmos, nada será cobrado nos primeiros momentos, você larga com vantagem, há expectativa em relação as suas ideias e emoções e boa vontade para aplaudi-las, você é o dono do roteiro, você conduz a trama, apresenta seu personagem.

Estar apaixonado por outro é, basicamente, estar apaixonado por si mesmo, em novíssima versão.

Quantas mulheres e homens manifestam entre suspiros este desejo, mesmo estando casados?

Um sem número deles quase todos atordoados com a própria inquietude e, no entanto é simples de entender. Mesmo as pessoas felizes precisam reavaliar escolhas, confirmar sentimentos, renovar votos, corrigir erros.

Apaixonar-se de novo pelos seus próprios parceiros nem sempre dá conta disso, eles já conhecem todos os nossos truques, sabem contra o quê a gente briga, somos tão previsíveis a eles e no momento o que precisamos é de alguém virgem de nós, que permita a recriação de nós mesmos, precisamos nos apaixonar para justamente corrigir o que fizemos de errado enquanto compartilhávamos a vida com nossos parceiros, e cujo dia a dia, problemas, situação, compartilhávamos a vida com nossos parceiros, e cujo dia a dia, problemas, situações difíceis, a própria rotina, o se conhecer profundamente, sem que isso signifique abrir mão deles.

Isso explica o fato de pessoas sentirem necessidade de relações paralelas, mesmo estando felizes com a/o “oficial”.

Explica, mas não alivia. Como é complicado viver!!!

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